Nem todos permanecem

Então, a gente cresce. A gente cresce, e descobre que nem todos permanecem.

Nem todos permanecem - blog Vanessa Lino - Por Thaís Lira - renderizado

A vida me proporcionou muitos encontros e desencontros. E em um desses encontros, enquanto tomávamos uma dose de café, ouvi Caroline se lamentar sobre o quanto estava se sentindo esgotada, cansada, usada. Prometia a si mesma, que jamais permitiria que alguém se aproximasse de sua vida novamente, por interesse. E mais: Ela prometia a si mesma, que jamais perdoaria alguém que -quaisquer que tenha sido o motivo- fora embora.

Não julgo Caroline. Pois já estive na mesma condição, com o mesmo pensamento, e sentindo as mesmas possíveis sensações.

Enquanto Caroline se debulhava em suas próprias lágrimas, chorando por alguém que partiu de sua vida sem prepará-la para isto, minha mente me levava a alguns anos atrás; quando meu coração estava estraçalhado, por simplesmente não saber lidar com a partida de pessoas que se aproximaram de mim dizendo ser “para sempre”. Meu coração me levou a alguns meses atrás, quando ainda pensava que existiam garantias debaixo de alguns sonhos e expectativas. Minha alma –silenciosamente– voltou a alguns dias atrás, quando alguém que amava com minha própria vida, partiu não apenas de minha vida, mas dessa terra, e nunca mais irá voltar.

Não sei você que está me lendo, mas sempre planejei a minha vida de um jeito muito fácil (até os meus dezesseis anos). Para mim, em meus 23 anos de idade, estaria no auge do sucesso profissional, já estaria formada no curso de Psicologia, já teria conhecido pelo menos a América latina inteira, já estaria em um relacionamento super sério e super estável, já teria fluência em quatro idiomas, já teria meu apartamento no centro de São Paulo, meu chalé no campo, e teria uma vida tão incrível, que não precisaria me preocupar tanto com ela. No auge dos meus dezesseis, minhas amizades do colegial? Seriam todas para sempre! Afinal, eu tinha as melhores amigos e os melhores amigos do mundo inteiro. E bom, eles eram tão bons, que perdurariam para sempre.tumblr_mq9hmuyFG31rqb589o1_500

Talvez, seja por isso que me frustrei tanto. Por ter criado expectativas que iam muito além das possibilidades e probabilidades. E como um amigo sempre diz:“Quanto mais expectativas você cria, maiores são as chances que você tem de se decepcionar”. As pessoas permanecem em nossas vidas durante o tempo exato. Elas ficam, enquanto devem ficar. E vão embora quando devem ir. Há sincronicidade e exatidão nas idas e vindas, quais nós ainda não somos capazes de compreender.

Há um ciclo vicioso e muito rigoroso, que consiste em “Pessoas vindo e indo”. O tempo inteiro. Da mesma maneira que elas chegam, elas partem. Partem de nossas histórias, de nossas vidas, de nosso planeta. Partem ao meio o nosso “para sempre”. Levam um pouquinho, e deixam um pouquinho conosco. Partem-nos.

Por isso, trabalhe sua mente. Reprograme-a para uma nova percepção, de que cada um tem o seu caminho. Hora, eles se unem. Hora, se separam. Bifurcações. Podemos sim , andar de mãos dadas com alguém ao longo da caminhada. Só que o caminho será sempre de cada um. Em algum momento, poderão partir. Não por que são mesquinhas, interesseiras, más, sem amor. Talvez, elas tenham seguido o caminho que pertence unicamente a elas. E talvez, este caminho seja -simplesmente- diferente do seu. E exatamente por isso, acredite: Nem todos permanecem.

Afinal, somos todos estrangeiros, passageiros. Todos os lugares por onde passamos, são só passagens.

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Nem todos permanecem. Nem mesmo nós.
Ou vai me dizer que você é o mesmo para sempre?


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